Talento

Alunos da Escola Politécnica criam tecnologia que permite religamento de energia mais rápido
O Módulo de Poste Móvel reduz o tempo de espera de um dia para 40 minutos e garante a continuidade do fornecimento elétrico durante manutenção ou ampliação de rede
Por USP - 24/01/2026


“Nós devolvemos a luz para a população e a concessionária reconstrói o poste depois” – Foto: gov.br/casacivil


Os alunos Luiz Camargo Guedes e Miguel Lima, do Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica (Poli) da USP, criaram uma tecnologia que reduz o tempo de religação da energia, em casos de interrupção por qualquer acidente, de um dia para apenas 40 minutos, e, em grandes catástrofes, como um tornado, restabelece em um dia. O Módulo de Poste Móvel também garante a continuidade do fornecimento elétrico durante manutenção ou ampliação de rede. Lima explica como a criação funciona.

Miguel Lima
Foto: Arquivo pessoal/Linkedin

“Quando a equipe chega no local, o poste móvel se eleva e cria um caminho alternativo para a energia passar por cima dos escombros. O grande problema hoje não é a árvore caída, mas sim a demora de seis a dez horas para reconstruir o poste de concreto. A nossa tecnologia resolve isso em 40 minutos, porque ela transforma esse caos da obra civil em uma simples emenda de cabos. É como o estepe de um carro, se o pneu furar na estrada à noite você não fica lá consertando a borracha no escuro, mas coloca o estepe e volta a andar imediatamente para posteriormente realizar o conserto definitivo, e o poste móvel é esse estepe. Nós devolvemos a luz para a população por agora e a concessionária reconstrói o poste depois, com calma, com segurança, isso sem precisar deixar ninguém no escuro,” explica.

As vantagens do Módulo de Poste Móvel

Guedes reforça que a nova tecnologia traz vantagens para além da rapidez no religamento da energia. “O poste móvel também pensou nas operadoras de telecomunicações, sua internet também volta rápido. Ele é projetado para ser transportado por veículos comuns, eliminando a necessidade de carretas especiais, permitindo que a concessionária ganhe muito, vendo toda a sua frota ficar preparada para qualquer caso. Esse módulo ainda tem o poder de fazer com que o socorro chegue mais rápido nos pontos de ocorrência, pois o poste móvel permite que os relatos de falta de energia nos diversos pontos distribuídos ao longo de São Paulo, por exemplo, sejam atendidos ao mesmo tempo, caracterizando uma logística distribuída e simultânea.”

Luiz Camargo Guedes 
Foto: Arquivo pessoal/Linkedin

“Nós não vemos a tecnologia como custo. Custo é ficar três dias sem luz e perder comida na geladeira, hospitais parados, cidade no escuro possibilitando insegurança. Hoje somente a população paga esse custo. Nós vemos investimentos, e o investimento é uma fração muito pequena, se comparado a um caminhão de manutenção da concessionária de energia, por exemplo. É um valor simbólico dentro do prejuízo de uma cidade parada, a conta fecha muito rápido. Ainda pensando em custo, soterrar cabos exigiria bilhões e levaria décadas, enquanto o nosso sistema viabiliza a solução com uma fração ínfima desse valor,” complementa Guedes.

As próximas etapas do projeto

Guedes explica os próximos passos para que o projeto seja colocado em prática. “A próxima etapa é a construção da patente para que essa tecnologia seja utilizada na operação das concessionárias garantindo que a população não fique mais no escuro. Nós tivemos uma reunião muito recente com a diretoria da Enel, que elogiou a ideia. Eles validaram publicamente a dor da religação da energia, mostrando que precisam de uma solução que transforme a queda de árvores, postes e fios em uma simples emenda de cabo, que é justamente o que o poste móvel faz. A próxima etapa é tirar o País do escuro, apagões prolongados só existirão no futuro por outras faltas, não mais por falta de tecnologia,” finaliza.

 

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